Terça-feira, 7 de Abril de 2009

Bairrismo ou reposição da Justiça

Algumas pessoas têm acusado de bairrismo a nossa posição de defesa do Pico. Não entendem a legitimidade desta defesa, todavia, se os detractores e muitos dos que rejubilam com a nossa insuficiência, sendo do Faial:
1) Vivessem no Pico, saberiam que várias gerações de picoenses tem sentido ”na pele” o abandono e a discriminação nunca alterados e tem assistido à “transferência” de muitas das suas necessidades e reivindicações para a ilha vizinha e admitiria também que o Faial foi o maior obstáculo de desenvolvimento do Pico, pelo muito que daqui se retirou – aeroporto incluído – que nos anos 60 foi decidido para o Pico e “emigrou” para o Faial;
2) Sentissem o que é ser sempre considerado “cidadão de 2ª” quando se vive na segunda maior ilha do arquipélago;
3) Tivessem tido, desde sempre, a obrigação de atravessar o canal para quase tudo: Saúde – sabendo que, para esta finalidade, a proximidade do canal é ilusória, como aqui foi evidenciado por outro comentador - viagens, escola, (esta motivo felizmente já acabou). E “sempre à saída e entrada” porque não são criadas as condições no Pico (condições físicas para os aviões também existem, falta a programação adequada);
4) Convivessem com esta situação como uma fatalidade do destino, quando o Faial continua a absorver parte dos recursos projectados para ao Pico – até o campo de golfe entrou na guerra! E não há que negar que os passageiros do Pico dão muito jeito à economia do parasitismo escusado se ao Pico tivessem sido dadas as mesmas condições de desenvolvimento. São aviões, barcos, hospital, restauração, táxis, eu sei lá! a aumentarem proventos por causa de uma passagem escusada na ilha mais pequena.
5) Continuassem a assistir à promessa de um novo centro de saúde no Pico, e agora anunciado mais uma vez, que não é desse que precisamos, mas de um verdadeiro hospital com as valências fundamentais e outras repartidas com a o da Horta, em complementaridade;
Esses “personagens” sentiriam, como nós, a revolta.
Sabemos que uma tradição de passividade de aceitação submissa da vontade dos antigos e novos “senhores” (sobretudo do Faial) a este estado de coisas conduziu. O inconformismo já é patente e vai ganhado força, e estou certo de ter aqui condensado um “estado de alma” que é geral.
Não há nenhuns preconceitos contra os faialenses, mas tão só contra as políticas de favorecimento ancestrais. E como isto vem muito de trás, algumas deles podem ser consideradas naturais desde o tempo do povoamento (baia da Horta que favoreceu a fixação, o historial dos veleiros, hidroaviões, sei lá que mais), mas no presente não faz sentido que se favoreça uma ilha em relação à outra. Será fatalidade pura os vulcões terem depositado o Pico e Faial ter próximos? O que não estaria escrito é que o Pico ficasse sempre em segundo plano em relação à ilha vizinha.
Por ser emblemático, tenho-me socorrido do exemplo flagrante da aviação, A discrepância do número de voos (1 para 6/7 para Lisboa; 1 para 2/3 inter-ilhas) é clamorosa e o exemplo acabado desse desequilíbrio da balança. Basta pensar nas razões por que S. Jorge tem número de passageiros idênticos ao Pico: são só da própria ilha. Quanto à obra do aeroporto do Pico nada é, até pela pobreza da sua aerogare, comparada com a obra faraónica do aumento da pista do Faial. Até porque naquela falta muita coisa, além de outras prometidas que nunca chegaram – por má vontade em resolver os atrasos?
Encaramos como natural que ao dividir-se equitativamente essas ligações aéreas, EM FUNÇÃO DO REAL MOVIMENTO, mesmo que a população da ilha vizinha tivesse fazer um bocadinho “o nosso trajecto de sempre” iria fazer-se justiça. Mas bastaria, cremos nós, “retirar” do Faial o “peso” dos nossos viajantes e utentes do hospital e não os fazer sair do Pico involuntariamente, mesmo sem ser à custa do decréscimo do outro lado, (que, convenhamos, seria natural) Mas instintivamente contra isto lutam os da outra margem do canal.
Somos acusados de não ter referido a Terceira e S. Miguel nesta guerra do “alecrim e manjerona”, porém esses afectam-nos muito menos nos casos paradigmáticos de que me tenho socorrido (hospital e transportes aéreos) E o Faial é que nos “faz sombra” aqui ao lado. Aliás já é de todos conhecido e até “pacífico” que as ilhas maiores tenham a maior fatia do “bolo”. Como o Pico é a segunda ilha e com população idêntica à vizinha, daí a nossa vontade de fazer equivaler a dimensão e o potencial de desenvolvimento com políticas correctas que não estrangulem o Pico. Trata-se, também, de corrigir muitos erros da História.
Não há, seguramente, nenhum picoense que não subscreva o que tenho escrito, talvez de uma forma menos inflamada, mas certamente pelas mesmas razões e com o mesmo desejo de mudança.

9 Defesas:

Paulo Pereira disse...

Pela minha parte, subscrevo o post.
E não de forma menos inflamada...
Continuo a achar que os faialenses são inteligentes e, que ao ensaiarem o recente papel de vítimas,apenas estão a tentar a defender alguns dos seus privilégios insustentáveis.

A ilha dentro de mim disse...

Começo a achar que este Blogue se deveria chamar "Atacar o Faial"... eheh!

Mesmo sendo faialense, acho que o Pico tem todo o direito de reivindicar mais saúde e melhores transportes para si e para a sua população. Tal como São Jorge, por exemplo, que tem uma população pouco menor e depende da Terceira para quase tudo. Ou até como as outras ilhas, cujo desenvolvimento sempre foi preterido em relação a São Miguel.

Sei q o dinheiro na região nem sempre é canalizado para onde devia, sobretudo a nível de saúde e transportes, que são bens essenciais para todos os açorianos. Infelizmente, o mesmo acontece noutros pontos do País, onde se fecham urgências e centros de saúde em locais com bastante mais população.

No que toca a este tipo de investimentos, é fundamental exigir mais de quem nos governa, que não pode nem deve ser parcial. Mas isso também implica exercer os direitos de cidadania e votar, coisa que os açorianos não se têm preocupado muito em fazer...

Antoino disse...
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Caguei te Mariano disse...
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Caguei te Mariano disse...
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Rui Medeiros disse...
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Anónimo disse...

Cono analisa a visita do governo ao Pico e o respectivo comunicado http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/novidades/Comunicado+do+Conselho+do+Governo.htm ?

A sua opinião lúcido faz falta ao Pico.

Anónimo disse...

Dêem-se por sorte por poderem atravessar o canal. Já pensaram nas pessoas do Corvo, Flores, S. Jorge, Graciosa e Santa Maria?

E depois este blog é uma dor de cotovelo imensa contra o Faial.

Não sabem justificar nada para a vossa ilha sem atirarem pedras ao Faial.
Aprendam a ser inteligentes! Deixem-se de andar sempre a fazer novelas com o Faial.

O Faial sempre que quis, fez força para isso e teve. Não andou a apontar dedos ao Pico.

Anónimo disse...

Não foi nada disto! Deram-lhe foi as condições que até; em muitos casos, retirarm a outros!