
Muito aproveitada (sobretudo no mau sentido) tem sido a notícia do possível abandono pela TAP de algumas rotas, incluindo Pico-Lisboa. (como se fosse possível às companhias que tem, desde sempre, recebido magotes de dinheiros públicos, não serem obrigadas a dar contrapartidas...)
Isto tem dado argumentos aos “inimigos” do Pico, sobretudo a alguns “mandatários” dos maiores beneficiários do tráfego gerado pelo Pico (escuso-me, para já, de mencionar quem) para denegrir e combater esta rota. A este respeito, reproduzo o texto que coloquei num blog destinado a aviação no Pico.
Não se trata de haver ciúme ou dor de cotovelo de uma determinada ilha - aquela que foi sempre a mais beneficiada das políticas, como capital de distrito, e dos pergaminhos ancestrais de superioridade (já caducos). Estes factores de desenvolvimento favoreceram o Faial, independentemente do querer ou actividade das outras ilhas. Trata-se, tão só, de colocar o Pico - não só ao nível dos transportes, no caso presente, aéreos, como também no acesso aos cuidados de saúde - no lugar a que tem direito, não obstaculizando o seu desenvolvimento com políticas penalizadoras como é não favorecer a entrada/saída de/para o exterior utilizando o seu aeroporto. Como é sabido, o aeroporto da Horta capta quase todo o movimento gerado pelo Pico de/para Lisboa, e algum inter-ilhas pois que as ligações pouco servem os passageiros do Pico (O contrário é que não acontece…). Que mal há em reivindicar mais voos no Pico, considerando mesmo a complementaridade dos dois aeroportos – mas em equidade: a distância do canal é a mesma nos dois sentidos? É justa a disparidade de voos de 5 para 1, e ainda mais gritante no Verão, de 14 voos para 2 semanais? Se acham que sim, então não há conversa possível. Atenda-se à dimensão e potencial de desenvolvimento de cada uma, e não se comprometa, ou adie, o progresso.Sei que o número de camas de hotelaria para o turismo é sempre dado como justificativo, mas esse não chega ao dobro Faial versus Pico. Nesta lógica, a razão 2/1 aceitar-se-ia Até 3/1 concederíamos – lá está a tradição a ditar leis... O estado actual é que é clamoroso. Não se trata de estar contra o Faial, mas contra a falta de actividade de quem de direito, sobretudo políticos da Região e do Pico que não defendem esta ilha à mesa dos acordos de Serviço Público de transporte aéreos com o Governo da República.Para além disto, é claro que também me toca o esvaziamento de todas as ilhas em favor da do Arcanjo, mas também se compreende que lá estão mais de metade dos açorianos, factor (populacional) que não é, propositadamente, tido em conta nos “confrontos” Faial-Pico, em que, aqui, por terem populações semelhantes, a dotação de meios e oportunidades seria equiparável, desfazendo o tradicional ascendente de uma em relação à outra. É preciso que aqui também haja lógica. Plenamente de acordo com o “Triângulo” desde que não haja um ângulo de 90º e os outros de 45º. Vamos construí-lo a 60º para as três ilhas? (para ser mauzinho, não seria também aceitável que a situação se invertesse e o Pico passasse a ter, por exemplo, 80º, em função da maior dimensão e potencial da ilha?)


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